quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Nada
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Fractal
sábado, 31 de agosto de 2013
Momento
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Palavras
segunda-feira, 22 de julho de 2013
De repente
Beber de seus beijos e envolver
Minhas mãos em seus cabelos.
Movimentar-me no seu ritmo
Seguindo sua música doce
Sua voz em meus ouvidos
Suas mãos despindo-me
De todas as feridas
De minha alma.
Nossos corpos foram encaixados
No princípio de tudo e a dor é
Insuportável quando estamos
A uma distância maior que
Um sussurro de prazer.
Não quero mais, nunca
Esfriar-me de seu calor
E afastar-me tanto
De sua névoa.
Isabella
domingo, 21 de julho de 2013
Sonhos
E moldar teus sonhos conturbados
Na argila clara de meu corpo.
Deixa-me derramar minha voz calma
Nas ondas do mar onírico e revolto
Que te envolve enquanto dormes.
E cantar-te cantigas de aventuras e amor,
Tecendo-te quadros na areia de Morfeu
E embalando-te em meus braços.
Deixa-me suspirar uma vez,
A última e então irei para
Sempre e longe de ti.
sábado, 20 de julho de 2013
Não há
Não há dor que não mereça ser curada.
E não há lembrança, mesmo que devassa,
Que mereça ser esquecida ou apagada.
Não há ferida que não mereça ser fechada
Ou sonhos que não mereçam ser sonhados.
E não há luz que venha de quaisquer olhos
Que mereça ser tragicamente extinta.
Voando no limbo das ações passadas
E mesmo no das ações passivas imponentes,
Não há razão qualquer ou motivo distante
Que justifique, satisfatoriamente, existir
Uma paixão, mesmo que vã, que não mereça
Nem por um segundo, ser lembrada.
Opcional
terça-feira, 1 de março de 2011
Reflexão
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Sobre Pontes e Carros
Sentada no banco de trás do carro de seus pais os dedos pequenos e impacientes grudavam no vidro frio, estavam rodando há bastante tempo, a pequena perdida em seus pensamentos e os pais perdidos nas ruas pintadas de crepúsculo daquela cidade imensa. Ela nunca soubera exatamente a magnitude daquele conjunto de cimento que pulsava dia e noite nos jornais, nas rádios e no cotidiano de cada pessoa que por lá passava, sabia, sim, que era uma grande cidade, conhecida e admirada por muitos, temida por alguns e objeto dos sonhos de indefinidas pessoas. Todos os rostos que rapidamente passavam pelo seu vidro pareciam-lhe anônimos, vazios e desconfortavelmente apressados, não conseguia entender como alguém conseguia viver naquela adrenalina eufórica, provavelmente sofriam do coração, pelo menos era o que acreditava baseando-se nas sábias palavras de seu avô que pregavam que uma vida agitada e viciante acabava por maltratar este órgão tão vital. O avô já havia morrido há alguns anos, deixara nela uma ferida estranha mista de saudade e tristeza, entretanto sua pequena cabeça só entenderia mais tarde a real dor que esta lhe provocara.
Sobre lágrimas sabia um pouco, entendia que mamãe chorava quando brigava com o pai, figura sempre autoritária perante os outros, mas perto de si tão sorridente e gentil. Ela pensava que, talvez, se sua mãe visse seu pai mais vezes como ela via, não chorasse tanto. Gostava do rosto dele quando a colocava para dormir, nessas horas ele a lembrava o avô, sem máscaras, o semblante suave dava-lhe um pouco de sono que se consolidava quando ele lia, ou simplesmente falava, algumas histórias de lugares distantes e frios, ambos gostavam muito de lugares frios. Porém ela percebia que perto da mãe ele se armava com muitas camadas das quais não conseguia tirar um significado, estava sempre tenso, meio bravo e a voz não era aquela que a fazia viajar pela neve distante, nesses momentos queria que chegasse logo a hora de dormir para poder ter novamente o pai que tanto amava. Quando começavam a gritar no quarto ao lado do seu escondia-se em baixo das cobertas e evocava o rosto do avô dizendo-lhe que eles estavam apenas cantando para um passarinho mal criado voltar para seu ninho, assim conseguia finalmente embarcar no sono profundo.
Aquela tarde fora estranha, era um sábado no qual o pai resolvera que todos deveriam ir passear para olhar vitrines, ela gostava muito de olhar as lojas com roupas bonitas em grandes bonecas pálidas, porém a mãe ficava impaciente pois provavelmente perderia algum programa interessante que passaria na televisão. Como em quase todas as ocasiões, e esta não era uma exceção, o pai dava a palavra final saíram todos no carro da família em direção ao centro comercial mais próximo. Ficaram horas olhando os brilhos e as luzes das lojas, entraram em apenas uma na qual a mãe comprou-lhe uma tiara vermelha para usar na festa de Ano Novo que se aproximava, ficara tão bem com seus cabelos escuros que pediu para não tirar e assim foi andando com seu adorno novo e um sorriso no rosto. Pararam para tomar sorvete e ainda ficariam muito tempo se não fosse a visível irritação da mãe com o programa, foi então que o pai decidiu que era hora de voltar para casa, entraram todos novamente no carro e se perderam no caminho de volta.
Os dedos já haviam adormecido com o frio do vidro, ela estava cansada, queria sua cama, mas seu pai não conseguia achar o caminho de volta e sua mãe não parava de falar e soluçar. Eles estavam brigando e passando por várias pontes enquanto tentavam não gritar para não assustar a criança no banco de trás. Mas ela sabia o que estava acontecendo e ela sabia que chamar seu avô em seus pensamentos não os faria parar. Eram tão bonitos os prédios iluminados e as pontes cheias de luzes rápidas daquela cidade e era tão triste o ar que se impunha dentro daquela gaiola de metal ambulante, ela não entendia como podiam coexistir coisas tão antagônicas em um mesmo espaço naquele exato momento. Sua pequena cabeça tão singelamente enfeitada tentava descobrir o momento em que aquele homem, seu pai, deixara de ser a pessoa que a colocava para dormir e que lhe dera sorvete há algumas horas. Passavam por uma ponte muito iluminada e grandiosa quando um tremor tomou conta do carro, ela, pequena, teve medo de cair, a mãe se calou e o pai jogou seus olhos sobre aquela mulher por um instante, um olhar triste e vazio que fez, finalmente, a pequena no banco de trás entender que entre seu amado pai e sua mãe todas as pontes haviam tremido tanto que acabaram por partir.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Última noite
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
...
A chuva parou na caneca vazia. Vazia como estas mãos que escorregam pelos olhos úmidos, que imagem interessante aquela. Como pudera? Pequeninos cacos que vidro espalhados por todo chão, azulejos rubros de hemácias, onde estivera? Onde estivera sua consciência quando escorregaram os dedos firmes na pele branca? Os dedos? Não os dedos, os cacos. De seus olhos? Que importa! Agora tudo é névoa. Sem chuva, sem lágrimas... E o brilho? Que brilho? Besteiras folclóricas, não há brilho depois da escuridão, depois do vermelho latente. Há apenas o vácuo. E os sons? Estão chegando os sons do horizonte, posso vê-los voando pelo céu. Não se pode ver os sons querida... Claro que sim, eles estão lá, oscilando num turbilhão, tão bonito olhar daqui. O baixo tem a forma de um beijo. O beijo que nunca mais sentirá. Nunca? Não. Estranho, percebo agora que o grito de angústia é vermelho e voa tão mais rápido que o baixo...
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Trecho a ninguém
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Não me deixe...
domingo, 20 de junho de 2010
Nota
Fugir de tudo e de todos, correr descalça pelas calçadas da memória, esquecer apressada as lembranças quebradas. Chorar rápido as alegrias perdidas. Escapar das garras do futuro e esconder-se dos lábios do passado. Parar no meio fio do tempo para apenas contemplar o rosto confuso do presente e ouvir o choro triste das cordas que não mais querem cantar.
Estourar os tímpanos com notas distorcidas da minha música mal acabada. A guitarra jogada na areia movediça, engolida pela não vontade de criar. Os lápis e os papéis derretidos no ácido do bloqueio e o som de um osso torcido na angústia. Que voz estridente tem o nada que me traga vagarosamente!
Funde meu corpo no calor da desilusão, maculado pela culpa de ser tão passiva. Voam meus cabelos pelo céu rubro de meu sangue ralo derramado para suprir esforços fúteis. O supérfluo da minha existência é gritante, enquanto o sentido real da minha personalidade permaneceu mudo pelas décadas corridas em que pensei viver intensamente.